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Pra não dizer que não falei do Oscar


         A indústria do cinema é cheia de contradições, mas todas elas são esquecidas na noite do Oscar, onde os vestidos luxuosos e as joias reluzentes das atrizes ofuscam qualquer crise. Esse ano enquanto a impressa mundial tinha os olhos voltados para as celebridades do tapete vermelho, acontecia bem na porta do local da cerimônia um protesto organizado pelos ex-funcionários da empresa Rhythman e Hues (responsável pelos efeitos especiais e animações do filme As Aventuras de Pi).

          O motivo do protesto é que a empresa decretou falência no início do mês de fevereiro. Ironicamente enquanto o filme arrecadava milhões em bilheteria, os profissionais que trabalharam para realizar a obra perderam seus empregos e ficaram sem receber salários que estavam atrasados. O filme levou 4 estatuetas entre elas  a de Efeitos Visuais, mas o discurso de Bill Westenhofer (responsável pela equipe de efeitos especiais do filme) foi cortado 15 segundos antes, exatamente no momento em que ele ia falar da crise. Desligaram o microfone e abafaram sua voz com a música do filme Tubarões.

           Após a censura no Oscar, muitos profissionais da área de animação e efeitos especiais trocaram suas fotos dos perfis nas redes sociais por um fundo verde (Chroma) demostrando apoio aos colegas. Dias depois da cerimônia o chefão da DreamWorks  anunciou que a empresa deve demitir mais de 300 funcionários até o fim deste ano. Especula-se que no dia 14/3 (3.14 número Pi) haverá um grande protesto mundial. É minha gente, engana-se quem pensa que cinema é sinônimo de glamour. 


* As imagens foram publicadas pelo usuário Vfxunite no Flickr. 







Veja o discurso censurado traduzido 





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