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Cannes

     
        Desde de 1946 acontece no mês de maio o mais importante festival de cinema do mundo (há quem prefira outros festivais ou até o Oscar, vai entender!). Para mim Cannes é o festival que melhor separa o joio do trigo do mundo cinematográfico, talvez seja forte demais essa colocação já que, acredito eu,  que a escolha de um filme seja tão particular quanto a escolha de um perfume, e portanto só quem assiste pode decidir se é bom ou ruim analisando através do próprio olhar o olhar do outro exibido na tela. Mas essa é uma das vantagens que o Festival de Cannes trás para nós cinéfilos, é que o júri assiste a todos, absolutamente todos os filmes que foram inscritos e a partir daí fazem a seleção, o que diminui as chances de nos decepcionarmos com os filmes. Quem não entra na Seleção Oficial pode muito bem ser exibido nas mostras paralelas.
      
     Cannes está dividido basicamente em 4 sessões principais, a Seleção Oficial, Cinéfonfondation, Cannes Curt Métrage    (Cannes Curta Metragem, em português) e a Marché Du Film (Mercado do Filme, em portugês). Algumas apresentam subdivisões, além dessas sessões Cannes abrange as mostras paralelas como a Quinzena dos Realizadores e a Semana Internacional da Crítica, cada uma com um júri e com premiações específicas. Tratarei de todas separadamente, e começo falando da Seleção Oficial e suas subdivisões.







Filme de Abertura

O GRANDE GATSBY, Baz Luhrmann



Em Competição


Abrange os filmes que estão na disputa pela Palma de Ouro, maior prêmio oferecido pelo festival.


Un Château En Itaeie, Valeria Bruni-Tedeschi
Inside Llewyn Davis, Ethan Coen e Joel Coen
Michael Kohlhaas, Arnaud Despallières
Jimmy P. (Psychotherapy of a Plains Indian), Arnaud Desplechin
Heli, Amat Escalante 
Le Passé (The Past), Asghar Farhadi
The Immigrant, James Gray
Grigris, Mahamat-Saleh Haroun 
Tian Zhu Ding (A Touch Of Sin), Jia Zhangke 
Soshite Chichi Ni Naru (Like Father, Like Son), Hirokazu Kore-eda 
La Vie D’adЀle, Abdellatif Kechiche
Wara No Tate (Shield Of Straw), Takashi Miike
Jeune et Jolie, François Ozon
Nebraska, Alexander Payne
La Vénus à la Fourrure, Roman Polanski
Behind the Candelabra, Steven Soderbergh
La Grande Bellezza (The Great Beauty), Paolo Sorrentino
Borgman, Alex Van Warmerdam
Only God Forgives, Nicolas Winding Refn
Filme de Encerramento
Zulu, Jérôme Salle 


Um Certo Olhar (Un Certain Regard)

 Essa é a mostra mais importante depois da mostra competitiva.  Abrange  filmes originais, com técnicas experimentais e vanguardistas. Este ano a mostra terá uma jurada brasileira, Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio. 


Filme de Abertura: Bling Ring: A Gangue de Hollywood, Sofia Coppola


Omar, Hany Abu-Assad 


Death March, Adolfo Alix Jr. 
Fruitvale Station, Ryan Coogler – primeiro filme 
Les Salauds, Claire Denis
Norte, Hangganan ng Kasaysayan (Norte, the End of History), Lav Diaz 
As I Lay Dying, James Franco 
Miele, Valeria Golino – primeiro filme 
L'inconnu du Lac, Alain Guiraudie 
Bends, Flora Lau – primeiro filme 
L'image Manquante, Rithy Panh 
La Jaula de Oro, Diego Quemada-Diez – primeiro filme 
Anonymous, Mohammad Rasoulof 
Sarah Préfère La Course (Sarah Would Rather Run), Chloé Robichaud – primeiro filme 
Grand Central, Rebecca Zlotowski 

Fora de Competição

All Is Lost, J.C Chandor
Blood Ties, Guillaume Canet 

Sessões da Meia Noite

Monsoon Shootout, Amit Kumar – primeiro filme 
Blind Detective, Johnnie To 
Sessões Especiais 

Muhammad Ali's Greatest Fight, Stephen Frears 

Stop The Pounding Heart, Roberto Minervini 
Week End of a Champion, Roman Polanski 
Seduced and Abandoned, James Toback 
Otdat Konci (Bite the Dust), Taisia Igumentseva – Cinéfondation, primeiro filme 

Sessão de Gala


Bombay Talkies, Anurag Kashyap, Dibakar Banerjee, Zoya Akhtar, Karan Johar 

A Sessão de Gala desse ano  faz um tributo a Índia, nada mais natural já que no início do mês a indústria Bollywoodiana comemorou seu centenário.




Cannes Classics

Apresentam versões restauradas de filmes clássicos. Este ano a sessão traz 26 filmes entre eles estão obras como The Last Empereror (O Último Imperador) de Bernardo Bertolucci, Vertigo (A Mulher Que Viveu Duas Vezes) de Alfred Hitchcock e Hiroshima Mon Amour (Hiroshima Meu Amor)  de Alain Resnais, e muitos outros.







      “Ser o ponto crucial do cinema mundial, uma confluência apolítica de criatividade em que as fronteiras linguísticas se desfazem diante de imagens universais”. Segundo o site oficial do Festival de Cannes, é esse o objetivo que o move a 66 anos. Eu diria que Cannes cumpre e muito bem o seu objetivo, revela talentos ao abrir as portas para cineastas iniciantes, mostra tendências, promove a arte, a criatividade, da voz através de imagens a países muitas vezes amordaçados, enfim, celebra em todos os sentidos a sétima arte. Vale a pena conferir os filmes exibidos por lá, sejam eles da seleção oficial ou das mostras paralelas. Abaixo trailers de alguns filmes da Seleção Oficial. 








Trailer de "O Grande Gatsby" 
filme que abre o Festival de Cannes








Trailer de "Bling Ring: A Gangue de Hollywood"
filme que abre a mostra "Um Certo Olhar"






Trailer de "Bombay Talkies" 
filme indiano que será exibido na Sessão de Gala.













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