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Melhor Filme no Oscar 2014



12 anos de escravidão

Quem diria que um filme sobre a escravidão no século XIX poderia ainda ser atual no século XXI? Infelizmente “12 anos de escravidão”, vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado para John Ridley e Melhor Atriz Coadjuvante para Lupita Nyong’o  se faz um filme necessário. 

O longa retrata a história de Solomon Northup, homem negro, livre e alfabetizado que vive com sua família em Saratoga no estado de Nova York e se alterna nas atividades de carpinteiro e violinista.  Solomon acaba sendo sequestrado e vendido como escravo ganhando o nome de Platt, a partir daí se vê obrigado a esconder sua verdadeira identidade para sobreviver.  

Foto:Divulgação

  A autobiografia de Solomon Northup foi publicada em 1853 e levou 160 anos para chegar as telas do cinema. Steve McQueen faz um filme realista ao nos mostrar que não existia piedade dos senhores da casa grande, eles não flertavam com suas escravas, as estupravam e todas aquelas cenas de tortura (chibatadas, enforcamentos) era rotineiro e os senhores donos de escravos procuravam  teorias e crenças para justificar a sua desumanidade. Na sequencia em que Patsey (Lupita Nyong’o) pede para Solomon/Platt a matar descrevendo como ele deve fazer é tão terrível quanto as cenas de tortura explícita  e resume o era ser um escravo, para alguns a morte era um alívio. 

Foto: Divulgação


Em seu discurso de agradecimento no Oscar no domingo (2 de março), Steve McQueen dedicou a vitória a “todos que sofreram e ainda sofrem com a escravidão”. Sim, ainda hoje existe escravidão embora essa prática seja ilegal em quase todos os países estima-se que cerca de 21 milhões de pessoas vivem em regime de escravidão e que a maioria dos escravos modernos tenha entre 18 e 24 anos. A escravidão moderna contribui para a produção de ao menos 122 produtos de 58 países e gera lucros superiores a 32 bilhões de dólares. 


Quer descobrir quantos escravos trabalham pra você? Acesse o site Slavery Footprint  que irá apresentar uma estimativa baseado nos seus hábitos de consumo, além de gráficos com as suas atividades que mais escravizam e também dicas para minimizar a situação. 



 Espero que, a 150 anos a partir de agora, a nossa ambivalência não permita que outro cineasta faça este filme”.  (Steve McQueen em seu discurso ao receber o prêmio Bafta 2014 de Melhor Filme)







Texto: Núbia Almeida

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