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O Homem Duplicado

São poucos filmes que despertam uma vontade louca de falar sobre ele, de querer que todo mundo conheça e passe pela experiência de assisti-lo, especialmente quando se trata de adaptação que normalmente divide o público que sempre vem com aquela ladainha que falei no texto anterior. O filme "O Homem Duplicado" (Enemy), adaptação do romance de José Saramago é um desses poucos.





José Saramago, não era muito fã de levar a literatura para o cinema, mas cedeu os direitos da sua obra para o produtor Niv Fichman, segundo a viúva do escritor, a única condição imposta aos realizadores era a de que o filme “fosse uma livre adaptação” e foi essa liberdade criativa que contribuiu para que o resultado na tela ficasse tão bom.



Essa adaptação dirigida por Denis Villeneue narra história de Adam Bell (Jake Gyllenhaal) um professor preso a sua rotina diária, que ao ver um filme reconhece entre os atores o seu duplo e começa a persegui-lo, envolvendo as respectivas esposa e namorada em uma teia de suspense com resultados indescritíveis.

O ambiente surreal do filme com toques de Salvador Dali e a falta de lógica na narrativa faz parecer que estamos dentro de um sonho perturbador e sedutor que nos deixa desorientados durante quase todo o filme. Desorientação bem conduzida por uma trilha sonora progressiva. Com poucos diálogos as expressões físicas dos atores dominam com destaque para a atuação de Jake Gyllenhaal que interpreta dois papéis (Adam Bell/ o duplo) sem exageros. 


O filme pode ser decepcionante para alguns, especialmente aqueles que estão acostumados a narrativas bem mastigadas com todas as respostas prontas, aqui o diretor deixa a simbologia do filme aberta a interpretações do público e o final insano também deve ser motivo de muitos protestos e teorias. É preciso estar disposto a deixar sua mente a mercê de emoções e sensações para aproveitar o filme. 




Trailer do filme O Homem Duplicado







Texto: Núbia Almeida




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