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O Vendedor de Passados





Adaptações são sempre complicadas e a liberdade para realiza-las pode ser ainda pior. Lula Buarque de Holanda ganhou essa liberdade do escritor José Eduardo Agualusa para adaptar para o cinema o seu livro homônimo “O Vendedor de Passados”. Na trama acompanhamos Vicente (Lázaro Ramos), um homem cujo trabalho é construir passados a partir de fragmentos de histórias fornecidas pelos próprios clientes. Mas tudo muda quando uma misteriosa mulher o procura e faz um pedido estranho.

O diretor, assim como o protagonista (re)escreve uma história a transformando em outra, já que, o único fato do romance que Lula mantém no filme é a profissão do protagonista. O filme se ancora na atuação de Lázaro Ramos, no seu envolvimento romântico com a personagem de Aline Moraes para chamar a atenção do público, mas pouco funciona.

O envolvimento romântico dos personagens não está desenvolvido o suficiente para deixar a história envolvente, é tudo conciso demais. Embora, a concisão seja uma característica do texto de Agualusa, mantê-la no filme não foi uma boa escolha, já que o diretor eliminou todos os aspectos inventivos presentes no livro, aspectos esses que carregam fortes simbolismos para abordar metaforicamente a colonização em Angola e a busca desse país por seu passado, frequentemente reescrito pela elite que está no poder o que causa  uma crise indentitária em seu povo.


Essa é uma história cuja escolha de ser fiel a obra original seria imensamente proveitosa, não apenas para apresentar a obra de José Eduardo Agualusa ao público ainda não iniciado, mas também para gerar maior envolvimento do espectador com a história. Lula Buarque de Holanda tinha a chance de fazer um ótimo filme e levar grande público aos cinemas, mas optou por fazer um filme ruim e causar ainda mais receio no público que está habituado as comédias e cinebiografias musicais a optarem por outro gênero do cinema nacional. 




Texto: Núbia Almeida

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