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O Preço da Fama

Cartaz de 'O Preço da Fama'


Charlie Chaplin faleceu no dia 25 de dezembro de 1977, enquanto dormia vítima de um derrame cerebral. Foi sepultado dois dias depois no cemitério Corsier sur-Vervey. Meses depois Chaplin protagonizaria um dos mais famosos roubos de cadáveres da história, isso porque, uma dupla de imigrantes um polonês e um búlgaro roubaram seu caixão e exigiram resgate para devolver seus restos mortais a família. A bizarra história verídica, acabou virando filme O Preço da Fama (La Rançon de la Gloire) de Xavier Beauvois. 

Misturando realidade e ficção Beauvois fez um filme contemplativo que não chega a ser cômico, nem trágico. No longa a dupla de imigrantes é formada por  Eddy (Benoît Poelveorde) um belga e Osman (Roschdy Zem) um argelino. Ao sair da prisão Eddy é recepcionado por seu amigo Osman, que o abriga em sua casa por causa de uma dívida de gratidão. O grande problema da dupla é a falta de dinheiro que se agrava quando a esposa de Osman necessita de uma cirurgia, diante das dificuldades financeiras Eddy tem a brilhante ideia de pedir ajuda ao "amigo dos pobres", como se refere a Chaplin. 

O diretor não sataniza os sequestradores, os transforma em personagens chaplinianos. Dois desajustados que enfrentam com humanidade e graciosidade as dificuldades da vida, mesmo que as vezes se metam em encrenca com a polícia.  O filme é cheio de referências ao universo de Chaplin, especialmente nas sequencias do circo que conta com a participação de Chiara Mastroianni. 

A família de Chaplin apoiou a realização do filme, cedendo trechos de seus filmes, autorizando a gravação de algumas cenas na casa em que Chaplin passou seus últimos dias e fazendo participações como as da neta Dolores Chaplin que interpreta uma das filhas do ator e de um dos seus filhos, Eugene Chaplin que aparece nas sequencias do circo. 

O melhor do filme fica mesmo para a trilha sonora feita por Michael Legrand que remixa a suas notas a trechos de trilhas sonoras de alguns filmes de Chaplin.  E a piada fica mesmo por conta do próprio Chaplin, que insiste em ficar em cena mesmo depois de sua morte. 







Texto: Núbia Almeida





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