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Respire






Baseado na obra homônima de Anne Sophie Brasme, em “Respire”, segundo filme de Mélanie Laurent, acompanhamos a jovem Charlie (Joséphine Japy) de 17 anos, educada, meiga e bem comportada, ela fica fascinada pela nova aluna, Sarah (Lou de Laâge) é bonita, descolada e de temperamento difícil. Sarah e Charlie se tornam amigas íntimas até o momento em que Sarah começa a mudar seu comportamento. 


No início, Respire tem ares de romance e parece ser mais um filme sobre as descobertas sexuais da adolescência, mas o desenvolvimento da narrativa nos leva ao sufocamento de um relacionamento abusivo. 


As duas garotas tem problemas, uma com o pai a outra com a mãe, Charlie encontra em Sarah o respiro que precisa para aliviar o sufocamento que sente com a relação dos pais e Sarah encontra em Charlie alguém para aliviar suas frustrações familiares. Manipuladora e abusada, Sarah domina Charlie, que mesmo diante das constantes humilhações da garota, segue perdoando, não consegue se livrar da obsessão e dependência emocional que tem por Sarah. 


Como a maioria das pessoas que se encontram em um relacionamento abusivo, Charlie não fala sobre o assunto, mesmo apresentando mudanças de comportamento, e quando questionada sobre sua excessiva passividade ela responde: "Não espero que entenda".



A diretora vai dando dicas sutis sobre a narrativa e o futuro das personagens, dicas que podem passar despercebidas pelo espectador, como a cena em que Sarah descreve seu encontro com um mitomaníaco, que depois descobrimos ser uma de suas características. Também é interessante ver a forma como Laurent faz uso da respiração de Charlie para pontuar a relação com Sarah. À medida que a relação se torna mais desequilibrada, as crises asmáticas de Charlie pioram, com dificuldade de controlar sua respiração é possível sentir o sufocamento de Charlie naquela relação. 


Amamos e odiamos Sarah, sentimos raiva da passividade de Charlie, nos sufocamos junto com ela e ficamos aflitos para Respirar. O filme dá voz às vítimas de relacionamentos abusivos e mostra que nem sempre podemos entender as questões que envolvem esse tipo de relação, mas que podemos, devemos falar sobre isso, sempre. 









Texto: Núbia Almeida


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