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Tangerine - As desventuras de Cinderela




No cinema, a representação de personagens trans e de outras minorias de sexualidade não normativa se deu principalmente e com maior honestidade em filmes underground.  As representações mais comuns dessas personagens no cinema mainstream são do homem com trejeitos femininos ou travestido de mulher, geralmente usado como alívio dramático e com destino trágico. 

Na década de 1960, principalmente o cinema inglês começa a retratar a temática sexual mais abertamente, enquanto em Hollywood ainda imperava o código Hays. Foi em 1968 que a MPAA (Motion Picture Association of America) criou seu código de censura, muito similar ao anterior e que é usado até hoje. Só em 1994 que um filme conseguiu apresentar personagens trans ao grande público com o musical "Priscila - A Rainha do Deserto". Ainda hoje a abordagem dos diferentes aspectos da homossexualidade e identidades de gênero, se mostra principalmente através dos filmes independentes e autorais. Tangerine, de Sean Baker, é um desses filmes.


 É véspera de natal, em uma mesa da loja Donut Time estão  as melhores amigas Sin-dee
(Kitana Kiki Rodriguez) e Alexandra (Mya Taylor). Sin-dee acabou de sair da prisão e descobre por Alexandra que seu namorado (e cafetão de ambas) Chester (James Ransone) a está traindo com "um peixe de verdade, com vagina e tudo". Revoltada, Sin-dee sai pelas ruas de Los Angeles para encontrar o namorado e a amante e tirar satisfação.


O roteiro surgiu depois de uma visita do diretor a um centro LGBT em Los Angeles, onde conheceu suas atrizes protagonistas, ambas ativistas da causa trans e prostitutas na vida real que nunca haviam atuado anteriormente.   Somos apresentados aos personagens e suas histórias de maneira intercalada, ao mesmo tempo em que acompanhamos as desventuras de Sin-dee, vemos o perrengue de sua fiel escudeira Alexandra para divulgar seu decadente show e as escapadas de Razmik (Karren Karagulian), um motorista de táxi pai de família que gosta de fazer sexo com Alexandra durante o expediente. 


Tudo isso filmado com iPhones 5s, cujas câmeras receberam adaptadores anamórficos, contribui para o dinamismo das cenas que juntamente com a cor alaranjada saturada e as batidas da trilha sonora tornam Tangerine um filme vibrante que caminha pelo dramático e o cômico sem tropeçar. Não é por acaso que o filme recebeu três indicações ao Independent Spirit Awards, de melhor filme, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante.  




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