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O carnaval vai ao cinema

O carnaval é a maior festa popular do país é muito mais do que um simples festejo, é um traço identitário da cultura brasileira.  A festa brasileira, luso-afro-ameríndia , sofreu influências da França, Itália, Portugal e se expressa de diferentes maneiras nas distintas regiões do país. Seja  com a escola de samba, o frevo, o maracatu, Timbalada, os blocos de rua, trio elétricos, carnaboi ou o boi-bumbá, durante quatro dias música, dança, costumes e tradições se misturam para celebrar os Brasis ao mesmo tempo em que promove a inclusão e interação, despertando o sentimento de unidade, de nação que muita das vezes é esquecido ou ignorado com o término da festa. Dada a sua importância para a cultura brasileira, o carnaval, o maior teatro de rua do país, curiosamente é pouco ou não é representado nas manifestações artísticas, com exceção da música. Embora o cinema tenha tido papel importante para a disseminação da música carnavalesca, hoje explora pouco a temática, sendo a maior parte das produções curtas-metragens.   Abaixo uma lista de dez filmes que o carnaval aparece, seja como personagem ou como cenário.  



Trinta (2014)



Cinebiografia do carnavalesco Joãozinho Trinta (Matheus Nachtergaele). Desde de sua mudança do Maranhão para o Rio de Janeiro nos anos de 1960 para ser bailarino do Theatro Municipal até 1974 quando se torna carnavalesco da escola de samba carioca Acadêmicos do Salgueiro. Aborda aspectos que marcaram a vida do carnavalesco como amizade, rompimentos, a inveja e o preconceito. Direção de Paulo Machline, com Matheus Nachtergaele, Fabrício Boliveira, Milhem Cortaz, Marco Ricca e Paolla Oliveira.  



Ó Paí, Ó (2007)




 “O Paí ó é uma gíria da Bahia que significa: ”Olha para isso, olha”. Baseado em peça de Márcio Meirelles com trilha sonora de Caetano Veloso. Ó Paí, Ó de Monique Gardenberg acompanhamos a vida dos habitantes de um cortiço em Salvador, no dia de carnaval. Dona Joana, a síndica, incomodada com a folia dos moradores, corta o  abastecimento de água. O filme tem muita música, alegria e dança, e revela os contrastes sociais do carnaval de Salvador. No elenco: Lázaro Ramos, Emanuelle Araújo, Wagner Moura, Dira Paes, Stênio Garcia e Tânia Toko.



Cartola, Música Para os Olhos (2007)






Documentário de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, retrata a história de vida e a obra de Angenor de Oliveira, o Cartola, um ícone do samba e importante compositor da música brasileira. 



Orfeu Negro (1959)






Uma garota do interior se envolve num romance com um morador de favela, tendo como pano de fundo o carnaval carioca. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, do Globo de Ouro e Oscar de melhor filme estrangeiro (para a França), a co-produção França/Brasil/Itália, dirigida por Marcel Camus, se baseia na peça de Vinícius de Moraes ‘Orfeu da Conceição’, que por sua vez se inspirou no mito grego de Orfeu e Eurídice e transferiu a história para o carnaval carioca. No elenco: Breno Mello, Marpessa Dawn, Lea Garcia e Lourdes de Oliveira.



Quando o carnaval chegar (1972)



O carnaval é importante na cinematografia de Cacá Diegues, na maioria de seus filmes tem samba ou carnaval ou ambos. Antes de filmar Orfeu (1999) remake do clássico de 1959. Cacá Diegues dirigiu Chico Buarque de Hollanda, Maria Bethânia Nara Leão e Hugo Carvana em ‘Quando o Carnaval Chegar’. Na trama Hugo Carvana é Lourival, empresário de um grupo musical sem sucesso que vive de apresentações mambembes, Lourival consegue que o grupo se apresente num evento dedicado a um rei que virá à cidade para o Carnaval, mas conflitos internos colocam em risco a realização do espetáculo, para desespero de Lourival. 



Alô, Alô Carnaval (1936)





Dois autores armam várias falcatruas e peripécias para encontrar um empresário para financiar a revista musical Banana da Terra. Um filme de Adhemar Gonzaga com Oscarito, Carmem Miranda, Lamartine Babo, Barbosa Júnior e Jaime Costa. Único filme brasileiro com participação de Carmem Miranda que sobreviveu ao tempo. 



A Voz do Carnaval (1933)





E semi-documentário de Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro, que intercala imagens dos desfiles do corso, batalhas de confete com os ranchos e os cordões com imagens de estúdio do comediante Palitos interpretando o rei momo. É o primeiro filme brasileiro com som gravado em película que insere a figura do rei momo no cinema. Com Carmem Miranda, Oscarito, Lamartine Babo, Pablo Palitos, Lu Marival, entre outros.



Tristezas não pagam dívidas (1944)





Um malandro conhece uma viúva que deve farrear no carnaval conforme as determinações do falecido marido. O malandro se prontifica a auxiliá-la, de posse de seu dinheiro a apresenta em bailes e de quebra conquista o coração da viúva.  Com direção de José Carlos Burle é o primeiro filme em que Oscarito e Grande Otelo atuam juntos, mas ainda sem formar a famosa dupla.  No elenco: Emilinha Borba, Grande Otelo, Oscarito, Jayme Costa, Sílvio Caldas e Itala Ferreira. 



Este Mundo é um Pandeiro (1946)




Cornélio vai uma boate, lá arruma briga com Oscarito que ri do seu nome. No fim da confusão, Cornélio por engano apanha o paletó de Oscarito. Quando Oscarito sai do hospital com amnésia e usando o paletó de Cornélio, os enfermeiros o levam para a casa de Olga, esposa de Cornélio, que o aceita como marido, assim como seus pais o aceitam como genro. Filme importante para se entender as chanchadas da Atlântida, nele aparece o que mais tarde se tornariam as principais características das chanchadas: a paródia ao cinema hollywoodiano e o retrato das mazelas do país. No elenco: Oscarito, Luiz Bonfá, Luiz Gonzaga, Alberto Ruschel, Grande Otelo, Ciro Monteiro e Nélson Gonçalves. 



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